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Um
Oriente simbólico que está dentro de nós
Rudolf Bultmann, um dos
especialistas mais importantes do século 20 em Novo Testamento,
descreve em seu livro Jesus Christ and Mythology(1958)
a Kerygma (Anunciação) como uma “proclamação não dirigida à
razão teórica mas ao ouvinte como um eu”. Sua escola, conhecida pelo
fato de ele querer desmitificar tudo, diz que a visão do mundo durante
o século 19 era tão diferente da nossa, que o Novo Testamento devia
ser traduzido em termos totalmente modernos se quiséssemos
compreender o sentido
mais profundo da mensagem de
Jesus. Escondida atrás do vocabulário escatológico das idéias
mitológicas dos Evangelhos e dos escritos de Paulo, Bultmann descobriu
verdades universais muito significativas para a vida de hoje.
Carl Jung, na psicologia analítica, desenvolveu um
método seme lhante
para compreender os mitos, lendas e simbolos que aparecem em nossos sonhos
e experiência diária.
Qualquer que tenha sido a viagem
de Jesus ao Oriente, histórica, lendária ou uma combinação dessas, o
que ela significa hoje, para nós? Como a maioria das grandes odisséias
literárias, apenas mais curta e menos detalhada, a viagem de Jesus é o
símbolo da procura pela
sabedoria, a procura da integridade.
O Oriente, no passado e no
presente, representa a metade misteriosa da alma, o inconsciente
escondido, o espírito superior, a dimensão intuitiva da psique menos
enfatizada pelas civilizações hebraica e grega, ou talvez menos
conhecida. A síntese entre capacidades analíticas e estáticas, meta
de todos os individuos, hoje é representada pela parte esquerda e parte
direita do cérebro. Na vida exterior, essa procura se expressa muitas
vezes como uma viagem para o Oriente ou (no caso oriental) para o
Ocidente. E, como os heróis e heroínas das histórias, aqueles que
embarcam para uma peregrinação física, em geral descobrem que a outra
parte do mundo não é tão celestial assim, na verdade. Para nosso
espanto, descobrimos que o Oriente, ou Ocidente, muitas vezes, é tão
corrupto como a sociedade hipócrita que abandonamos e, finalmente, dando
graças a Deus pelo encontro com os melhores representantes dos dois
mundos, voltamos para casa, felizes.
Minha própria teoria é que, se re almente
Jesus viajou para o Oriente, ele provavelmente o fez para agradecer os
três magos, mencionados por Mateus, que o visitaram
por ocasião do seu nascimento. Segundo a lenda, eles vieram da Arábia,
Pérsia e Índia - três países que Jesus teria visitado.
Como discípulos de Zoroastro, os magos tinham o
dom de interpretar sonhos. Em Jerusalém, eles talvez tivessem ensinado a
Maria e José os seus conhecimentos, o que permitiu a eles, mais tarde,
depois de te rem sonhado
com a raiva de Herodes, fugirem para o Egito. Se isso realmente
aconteceu, Jesus deve ter ficado grato aos magos por terem salvado sua
vida e, quando se tornou adolescente (de acordo com a lenda, ele tinha
treze anos quando saiu de casa), foi procurá-los para aprender com eles a
ciência dos sonhos.
Qualquer que seja o motivo pelo silêncio da
Bíblia sobre o desenvol vimento
de Jesus dos treze aos trinta anos, esse período desconhecido simboliza
(para o cristianismo) a perda da sua própria origem como um todo. Depois
do Império romano ter adotado a fé que ternou reprimir tão
fanaticamente durante muito tempo, o pensamento original de Jesus se
escondeu atrás dos escritos incontáveis de Nicéia, no século 4º, ou
se perdeu no meio das muitas seitas diferentes que mais tarde foram
perseguidas e destruidas violentamente. Através da tradição oral ou
mesmo de documentos que mais tarde se perderam, esses pensamentos
foram ensinados de pai para filho, de geração a geração, e, de
repente, surgiram em certos grupos na Idade Média e também
em nossos dias.
Na geografia da fé, a viagem de Jesus ao Oriente
simboliza a pere grinagem
interna que todos nós fazemos durante nossas vidas. Finalmente,
chegando “em casa”, encontramos o ponto onde todos os caminhos se
encontram, o lugar do Reino de Deus, dentro de nós mesmos.
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