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O
profeta do islamismo sob ângulo novo
A teoria de que Jesus, após uma
crucificação fracassada, teria viajado para o Oriente, não é nova;
mas Faber-Kaiser a focaliza sob um ângulo novo. A ligação com
Srinagar é conhecida universalmente, e se refere à seita muçulmana
ahmadiya, movimento surgido no princípio do século 19. Seu fundador,
Ghulam Ahmad (1839-1908), anun~ ciou uma versão semelhante das
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viagens de Jesus após sua crucificação. Já que nos círculos
muçulmanos e cristãos ninguém está muito feliz com a figura de
Ahmad, Faber-Kaiser tenta se distanciar o mais possível do movimento de
Ahmad (ainda bem grande, hoje), procurando provas para sua hipótese
em outras fontes.
A hipótese ainda acha defensores no
livro de Muhammad Ata UrRahim, Jesus, Prophet of Jslam (Diwan
Prees, England, 1977). O autor é um cientista sufi que trabalhou como
diretor do Colégio Urou, em Karachi, Paquistão. Ele investiga a vida
de Jesus no Alcorão e
as lendas islamitas. Ele postula que o islão é um sucessor direto das
seitas cristãs, como, por exemplo, os ebiofitas, cerintianos,
basilidianos, os carpocratianos e os hipisistarianos, cujos escritos foram
destruidos por ordem da Igreja católica, quando os Evangelhos de Mateus,
Marcos, Lucas e João
foram escoihidos como canônicos, em Nicéia, no
ano de 325. Mesmo depois de seus líderes e chefes terem sido mortos -
declara Ur-Rahim - os cristãos da África do Norte ainda seguiram,
durante três séculos, a doutrina original de Jesus. “Quando chegou o
islamismo, eles o aceitaram naturalmente, porque para eles a nova
religião não era mais do que uma expansão e afirmação da doutrina
na qual eles acreditavam.” E nos lembramos de que as cruzadas foram
resultado dos assassinatos dos arianos pela Igreja de Paulo. Os únicos
e verdadeiros cristãos no Ocidente, hoje - afirma o autor -, são os
unitários, que acreditam na Indivisibilidade Divina, crença que
concorda com a do islamismo.
O Alcorão
descreve Jesus como um profeta de Alá,
descendente de uma longa linha de Noé, Abrão, Moisés, uma linha
prosseguindo de João Batista até Maomé. Não se fala muito nos detalhes
da vida de Jesus, mas fala-se de um livro chamado Ngeel, que
Jesus recebeu de Alá. Não se fala do que tratava o livro, assim como
não se fala da sua infância ou das viagens por ele realizadas ao
Oriente. Mas as circunstâncias da sua morte deixam claro que essas
viagens eram bem prováveis, quando ele era mais velho. Conforme o Alcorão,
as autoridades judaicas tentaram executá-lo.
Mas, de um modo misterioso, ele sobreviveu à crucificaçào - opinião
aceita por muitos islamitas, só que poucos deles concordaram com a
versão divulgada pelo movimenta ahmadiya. |
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