O documento Takeuchi sobre Jesus no Japão

Em 1935, Hiromaro Takeuchi concluiu um documento provando que Jesus tinha morado numa al­deia isolada, Herai (hoje Shingo), situada no município de Aomori, no extremo norte do Japão, onde teria morrido em paz aos 106 anos de idade. Após descobrir o docu­mento, Takeuchi visitou a aldeia, achando dois túmulos, onde foram enterrados Jesus e seu irmão mais moço, Isukiri. Conforme os mora­dores do local, Isukiri foi crucifi­cado e morto no lugar de Jesus. Conforme outros textos encontra­dos mais tarde na aldeia, Jesus e uns discípulos conseguiram fugir de Je­rusalém, chegando depois de uma longa viagem, através da Sibéria, ao Extremo Oriente. Fala-se também de uma outra viagem que Jesus te­ria feito ao Japão, em sua juven­tude. Seu nome japonês teria sido Torai Taro Daitenkum, e ele teria casado com uma japonesa, Yamiko, e gerado três filhas.

Justin Smith, jornalista do Chicago Dailly News, fez, em 1972, um estudo desse relatório. Mostra­ram a ele uma cópia de um outro documento, que seria o testamento que Jesus fez, aos 88 anos de idade, onde ele afirma que no ano 2015 “todos os povos da Terra se uni­riam”. Smith acredita na autentici­dade dos textos e acha que - já que a arte da escrita começou a se espa­lhar pelo Japão mais ou menos no ano 500 da nossa era - os documen­tos originais foram escritos por Je­sus em simbolos que mais tarde fo­ram traduzidos por um membro da família Takeuchi. Essa família guar­dou os documentos de geração a geração. Smith refere-se a um livro escrito em japonês sobre os docu­mentos Takeuchi, pela senhora Kika Yamane, onde ela fala de ou­tras lendas a respeito do assunto.

Os céticos costumam colocar to­das essas teorias ao mesmo nível. Mas nós, que acreditamos que to­das elas tiveram a sua razão de ser, esperamos desenvolvimentos futu­ros. Nosso conhecimento sobre os contatos entre as civilizações anti­gas se expande cada vez mais. Exemplo disso é o Evangelho de Tomé - descoberto há pouco (um manuscrito do século 4º), traduzido do grego para o copta -, que contém 114 versos de Jesus, com uma seme­lhança espantosa com o Tao Te Ching. No parágrafo 50, por exem­plo, Tomé, o apóstolo oriental, des­creve um Jesus que parece falar de yin e yang. “Se perguntam: qual é o signo de teu pai dentro de ti? Então diga: é um movimento e uma pausa”. Em seu novo livro Para o Leste, o prof. Harvey Cox, do Har­vard Divinity School, postula de modo brilhante (sem se referir à ci­tação acima ou aos documentos ja­poneses) que atividade e descanso sempre foram as categorias bíblicas fundamentais da experiência, desde o Genesis. Possíveis ligações entre as duas culturas antigas e uma ori­gem única desafiam os pes­quisadores.