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Introdução
Conforme diversos livros pu blicados
desde o fim do século 19, Jesus passou uma parte da sua vida nas casas
de barro, da Índia, ou nas casas forradas de tatame, do Japão. Os
livros mais conhecidos são: The Aquarian Gospel of Jesus, the Christ, The
Unknown Life of Jesus
Christ; os escritos de Edgar Cayce e os Takeuchi Documents.
A partir de 1945 foram descober tos
perto do mar Morto, em Israel, e em Nag Hammadi, no Egito, alguns
documentos e fragmentos de documentos com informações diferentes sobre
a Palestina do primeiro século da Era.Cristã. Esses manuscritos nos
dão uma boa idéia sobre alguns dos escritos não canônicos, conhecidos
como o Novo Testamento
Apócrifo e do Pseudopigraphia, contendo histórias gnósticas e ortodoxas
sobre Jesus, mais tarde declarados heréticos pela Igreja católica.
As imagens sempre mutáveis de Jesus adiantam
sempre os incríveis achados arqueológicos dos últimos trinta anos.
Quando a teoria da evo lução
surgiu no século 19, a teologia cristã não podia mais ser aceita tão
literalmente, e as pesquisas sobre a Biblia foram submetidas
energicamente a métodos científicos. Essas pesquisas contêm análises
históricas, estudos sociológicos de tradições orais ou
transmitidas sob a forma de histórias, análises lingüísticas e
análises dos contextos culturais dos quatro Evangelhos: Mateus, Marcos,
Lucas e João, e as cartas de Paulo. Os especialistas agora concordam em
que a imagem de Jesus nos três Evangelhos sinópticos (as histórias
muito parecidas de Marcos, Mateus e Lucas) é baseada em informações de
segunda ou terceira mão. Todos eles basearam suas histórias em textos
mais antigos, sendo que algumas das histórias
devem ter sido baseadas em tradição oral.
O quarto Evangelho, o de João,
provavelmente o único dos quatro Evangelhos canônicos escrito por uma
testemunha ocular, foi escrito mais ou menos sessenta anos após os
acontecimentos relatados e, por sua ênfase no historicismo, fala pouco de
Jesus. Os escritos de Paulo são os mais velhos do Novo Testamento, mas
ele também não conheceu pessoalmente Jesus. To das
essas fontes conservam certas tradições originais, mas a autenticidade
de cada história é duvidosa.
Os especialistás concordam em que
Jesus viveu na Judéia, no sé culo
1º, mas como e quais foram os detalhes da sua vida, ninguém sabe. O que
ele quis dizer quando se chamou de O Filho do Homem? Ele se declarou
Messias e se for verdade, quando isso se deu? Ele acreditava mesmo na
aproximação do Reino dos Céus, ou este já tinha chegado? Alguns
teólogos modernos acham que Jesus queria reformar a sociedade, e que,
acima de tudo, ele era um pretendente revolucionário ao trono de Israel,
da dinastia de Hammon. Uma corrente (trata-se de urna hipótese
antiqüíssima), que tem no autor do livro Jesus
e os Fanáticos o seu melhor expoente, diz que
Jesus era o cérebro de uma revolução popular contra os romanos.
Dizeres como: “Não veio trazer a paz mas sim a espada”, não têm
sentido senão vistos deste modo. Outros, porém, acham que Jesus era um
pacifista, membro da seita dos essênios e nunca podia ter sido um
revolucionário. Hugh Schonfield, em seu livro Passover Plot (1965),
declarou que foi o próprio Jesus quem organizou sua crucificação para
realizar a profecia da Bíblia. Outros autores apresentam idéias ainda
mais ousadas. Em seu excelente estudo The Quest
of lhe Historical Jesus (1906), Albert
Schweitzer diz que os especialistas em Novo Testamento desde o
iluminismo sempre tiveram forte inclinação em aproximar-se do
problema com um certo ódio reprimido contra as mentiras e hipocrisias
estimuladas pelo cristianismo oficial. Esta raiva surge claramente nos
textos de Soren Kierkegaard, teólogo dinamarquês do século passado,
pai do existencialismo cristão, que escreveu em seu Diário:
“Foi realmente
injusto não darem o nome de Colombo à América. Mas foram muito mais
injustos com Jesus Cristo quando deram o seu nome ao cristianismo
E já que suas
pesquisas estavam tão carregadas de emoções, os teólogos se tornaram
as ovelhas negras do mundo acadêmico moderno. Faculdades de teologia
são hoje consideradas apêndices inconvenientes e subjetivos,
científica e financeiramente dispensáveis. Para a maioria dos teólogos,
o Cristo histórico é
bem menos importante que o Cristo religioso. Os cristãos autênticos se
ocupam muito mais da mensagem evangélica do que com a vida de Cristo.
As pesquisas sobre o
Novo Testamento são agora baseadas em métodos científicos, com
ênfase, principalmente, numa procura apaixonada pelo sentido, a
história esotérica da Bíblia, a união do pensamento
e da ação. Pesquisas desse tipo são consideradas heresia aos olhos da
moderna epistemologia dualista, que enfatiza a separação do pesquisador
subjetivo dos fatos objetivos. Os pesquisadores, nesse caso, podem ser
trocados como a fita num gravador.
E assim as faculdades cristãs têm
algo em comum com todos os que dão valor a sonhos, visões, tradição
oral, intuição, memória, autocura e outras facetas das experiências humanas
que a ciência ocidental rejeita
como não-objetivas.
O caminho do meio, não dualístico,
tenta unificar experiências pessoais, mesmo as mais excêntricas ou
mais convencionais. Agora, respeitando o contexto histórico das lendas
com seu significado pessoal
para nossas vidas diárias, ele examina as crônicas das viagens de Jesus
para o Extremo Oriente.
“A ciência está construida de
fatos, como uma casa,
de pedras”, disse certa vez o matemático Poincaré, ao descrever a
imagem da causa e efeito no mundo moderno, “mas uma coleção de fatos
não forma uma ciência, como tampouco um monte de pedras forma uma
casa.” Usando as imagens de casa e pedras usadas por Poincaré, podemos
postular que as histórias examinadas aqui serão úteis se contiverem
uma verdade vital. Elas não serão mais que um monte de pedras, areia
ou palha, se não conseguirem
abrir nossas percepções.
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