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Controvérsia
e vigarice sobre um mistério
Logo após sua publicação, A
Vida Desconhecida de Jesus foi rejeitado como
vigarice e tapeação. Cientistas descobriram na história certos dados
de Marcos, Lucas e dos Atos,
que só podiam ter sido anotados no final do século 19, e não como
Notovitch declarou, logo após a morte de Issa. Além disso, além da
declaração de Notovitch, não há prova alguma sobre a existência de
um texto original ou cópias do documento que ele disse ter visto.
Max Múller, orientalista famoso e
editor do Sacred Book ofthe East, examinou a ampla bibliografia dos
documentos tibetanos, o Kanjur e o Tanjur, e não conseguiu
achar nada a respeito do documento Issa. Em um livro anterior tratando das
influências budistas no cristianismo em geral, Müller diz: “Ficaria
imensamente grato se alguém me mostrasse os canais históricos através
dos quais o budismo teria influenciado o cristianismo original.
Durante toda a minha vida procurei
aquelas fontes, mas para as semelhanças mais impressionantes existem,
dos dois lados, antecedentes históricos, e, conhecendo aqueles
antecedentes, as semelhanças são bem menos surpreendentes”. Muito mais
gentil que os demais críticos, Müller chegou à conclusão de que
Notovitch tinha sido vítima de alguns monges maldosos.
Uma senhora inglesa, que visitou o convento de
Himis logo após a publicação
da Vida Desconhecida, não
conseguiu achar provas nem da visita de Notovitch. O lama do convento
negou a existência do documento Issa. Desde então nenhum cientista
levou mais a sério esse livro,
enquadrado na categoria das “biografias inventadas”.
Por outro lado, O Evangelho
Aquariano de Jesus, o Cristo (1908), mostra muita semelhança com o
relatório de Notovitch sobre as viagens de Jesus ao Oriente. A rota
é exatamente a mesma, somente os acontecimentos são descritos mais
detalhadamente e contêm mais parábolas. A diferença mais importante
sobre o Evangelho Aquariano e a Vida Desconhecida é
que o último é histórico, e o primeiro, um documento espírita. Levi
H. Dowling (1844-1911), o autor (oriundo de Ohio), levou uma vida ativa e
variada. Serviu como pastor numa pequena igreja, e, mais tarde,
durante a guerra, como capelão do Exército. Estudou medicina e mais
tarde dedicou-se à literatura. Numa fase da sua vida, Levi teve uma
visão ordenando-lhe que construísse “uma cidade branca” - ele
sentiu que a tal cidade era o seu Evangelho
Aquariano, que foi escrito entre as 2 horas da
madrugada e as 6 da manhã, ditado pela “deusa da sabedoria”
ou o “Alento Sagrado”.
Uma semelhança surpreendente
entre os dois é o lugar importante dado à mulher. Conforme Levi, um de
seus mestres mais importantes na infância de Jesus era mulher (quando se
encontrava no Egito).
Em toda a história de
Levi, Jesus fala do Espírito Santo como “Ela, o Alento Sagrado”.
A ciência moderna não prestou muita atenção ao Evangelho
Aquariano por tratar-se de um documento
espírita. Os poucos que falaram dele, como Edgard Goodspeed, The
Modern Apocrypha (1954), mostram as influências de Notovitch nas
histórias sobre a India e citam algumas outras fontes bem determinadas.
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