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A vida
desconhecida de Jesus Cristo
Em 1894 o mundo
científico se assustou com um livro, do jornalista russo Nicolas
Notovitch, intitulado The Unknown Life of Jesus Christ, onde são
descritas as viagens de Jesus à Índia. O autor conta que no fim da
guerra entre Rússia e Turquia ele viajou para o Oriente, chegando em
1887 a Kashmir. Em Leh, capital do Ladakh, ele visitou Himis, um grande
convento budista, onde o lama lhe contou sobre os documentos tratando da
vida do Santo Issa (Jesus para os árabes).
Os manuscritos originais,
escritos em páli, e cópias, escritas em indiano, se encontravam no
palácio do dalai lama do Tibete, mas diversas cópias estavam
espalhadas por diversos conventos, sendo que um deles era o de Himis.
Notovitch estava morrendo de vontade de ver esses manuscritos, e por
isso deu vários presentes ao lama, na esperança de que este lhe
mostrasse os documentos, o que de fato aconteceu. Notovitch escreveu a
tradução feita por um intérprete em seu caderno, e, depois de sua
volta ao Ocidente, publicou a curta biografia, “depois de arranjar os
versos de modo que eles ficassem de acordo com a história, dando uma
ligação entre eles”.
O texto nos conta como
Issa, na idade de treze anos, partiu da casa dos pais, em Jerusalém,
viajando na companhia de alguns mercadores para Sindh (Índia), para
estudar as leis dos grandes Budas e se aperfeiçoar na palavra divina.
Durante seis anos ele ensinou os escritos sagrados em Juggernaut,
Benares e outras cidades da província de Orissa. Os sacerdotes
brâmanes se voltaram contra ele, quando Issa pregou o monoteísmo e os
direitos dos sudras ou classe operária. “Deus Pai não faz diferença
entre seus filhos; todos lhe são igualmente caros”, disse Issa aos
ricos e privilegiados. Ele escapou, por um triz, de um atentado, tramado
por sacerdotes e guerreiros, fugindo para o Nepal e o Alto Himalaia
(Tibete), onde ficou seis anos pregando a perfeição mais elevada para a
humanidade. “Os milagres de nosso Deus começaram com a criação do
universo”, disse ele aos ouvintes. “Eles acontecem todos os dias e
todos os momentos. Quem não os vê não consegue ver as coisas mais
bonitas da vida.” Voltando para casa, ele ficou uns tempos na
Pérsia e, também lá, os sacerdotes se voltaram contra ele porque
Issa era contra o dualismo: “O Espírito Eterno se encontra em todas
as coisas; vocês estão errados dividindo-o em Espírito do Mal e
Espírito do Bem, porque Deus é tudo”.
Aos 29 anos, ele voltou para a Judéia,
e os boatos sobre sua grande popularidade chegaram também aos ouvidos de
Pôncio Pilatos, governador romano, que o acusou de subversão. Os
sacerdotes e escribas judeus examinaram os relatórios e declararam Issa
inocente, descrevendo-o como uma pessoa que aconselhava paciência para
com o jugo romano, e que era um grande defensor da mulher: “Respeite a
mulher, porque ela é a mãe do universo, e todas as verdades da criação
divina estão dentro dela... conquistando seu amor e seu coração você
alegrará Deus e muitos dos seus pecados serão perdoados”.
Pilatos estáva furioso com a
popularidade crescente do profeta judeu e ordenou a um de seus
espiões que acusasse Issa de subversão. Mas de novo - assim diz o
documento - as autoridades judaicas recusaram condená-lo. Mesmo assim
Pilatos ordenou sua execução.
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